Menu e Galeria de Posts Recentes

Image Map

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

CRÍTICA: FALLEN - O FILME (2016)





Sinopse: Algo parece estranhamente familiar em relação a Daniel Grigori. Solitário e enigmático, ele chama a atenção de Lucinda Prince logo no seu primeiro dia de aula no internato. A mudança de escola foi difícil para a Luce, mas encontrar Daniel parece aliviar o peso das sombras que atormentam seu passado: um incêndio misterioso levou Luce até ali. Irremediavelmente atraída por Daniel, ela quer descobrir qual é o segredo que ele precisa tanto esconder… mesmo que isso a aproxime da morte.

Como começar essa resenha que esperei anos para fazer? Já adianto: valeu a pena esperar três - repito, três - longos anos para finalmente assistir ao filme de Fallen. Eu ainda estava descrente que finalmente o filme estava nas telonas e achei que seria trollada. Só acreditei que era real quando o filme começar a rolar, sério!




Lançado nos cinemas brasileiros no dia 8 de Dezembro deste ano, Fallen - O Filme, é a adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome da autora Lauren Kate (confira a resenha aqui), dirigido por Scott Hicks e tendo a H20 Films como distribuidora brasileira.



Devo ressaltar primeiramente que o filme foi produzido com um baixo orçamento, ou seja, o trabalho foi realizado da melhor forma possível para os desenvolvedores do mesmo, então nós não podemos criticar muito tendo tal fator em vista. Eles deram soluções simples que fizessem sentido para que não ficassem ridículas. 

O filme começa com uma apresentação introdutória da mitologia da saga Fallen (algo que não tem no livro) e serve para introduzir o espectador naquele universo. A própria autora, Lauren Kate, foi quem a escreveu. Eu achei muito interessante isso, porém, quem é fã dos livros vai perceber que algumas pequenas coisinhas na cena acabam entregando, de certa forma, alguns mistérios. Foi quaaaaase um spoiler, por assim dizer.
Eu gostei bastante da trilha sonora. As músicas foram bem colocadas dentro do contexto. Não esperava menos do compositor, Mark Isham, que já trabalhou com as trilhas dos filmes Uma Longa Jornada e Um Homem de Sorte, e com a série Once Upon a Time.

As técnicas de filmagem também foram boas, como os ângulos da câmera durante as cenas, embora algumas terem sido longas. Tal fato gera o ponto negativo de que as cenas acabaram durando um tempo maior do que o necessário sendo que o próprio filme em si já era curto. Uma hora e meia é pouco tempo, e deu para sentir realmente que passou tudo muito rápido. O final, principalmente, foi um pouco corrido. As cenas do final, onde acontecem a batalha - não tão batalha assim e, definitivamente, não como a batalha descrita no livro - e as causas dela poderiam ter sido mais longas, causando um tempo maior de suspense a angústia nos telespectadores. Poderiam ter diminuído o tempo das cenas desnecessariamente longas e aumentado nas cenas que realmente precisavam, apesar de algumas poucas cenas serem legais. O desfecho é o clímax e o que aconteceu no dia seguinte são cenas longas nos livros, mas no filme, foi muito rápido. A cena (além de bem diferente da do livro) mal começou a acontecer e já acabou.







Quanto aos efeitos visuais, eu estava muitíssimo preocupada como eles iriam fazer as asas dos anjos e as sombras, mas a produção encontrou uma maneira criativa que - surpreendeu os fãs num primeiro momento assistindo ao trailer - fez sentido com a descrição encontrada no livro (foi como estar lendo-a novamente) e visualmente bonita. A cena da batalha dos anjos é o maior exemplo disso. O momento em que a Luce toca as asas do Daniel, eu pude sentir o mesmo de quando li o livro, e isso foi demais! Eu esperava asas com penas mesmo e fiquei em choque quando as vi no trailer, mas admito que elas foram apresentadas de uma forma legal. A essência angelical das asas, como uma bola de energia luminosa, digamos, foi uma sacada legal e que até ficou bonita num contexto. Eu esperava que as sombras fossem parecidas com os Dementadores dos filmes da franquia Harry Potter - embora eu não imaginasse assim durante a leitura de Fallen - mas achei que a produção também acertou em cheio. Exceto pelo fato de que o mistério sobre as sombras ter sido revelado de uma forma banal - sendo que só é revelado no segundo livro da saga, Tormenta. Foi o primeiro spoiler da saga que mostraram no filme e que foi totalmente desnecessário, apesar de eu achar que eles revelaram apenas para não ficar uma explicação vaga assim como houve primeiramente no livro. O segundo spoiler me revoltou totalmente que eu até deu um pequeno surto na sala de cinema, sério. Quem leu o livro vai saber que tal spoiler é uma das grandes revelações do quarto e último livro, Êxtase. Achei completamente descabível terem feito isso. 




O filme foi gravado em Budapeste, na Hungria, e o reformatório Sword & Cross foi locado num castelo chamado Schossberger em Tura, próximo a capital. A fotografia do filme é linda! O cenário transmite mistério e melancolia, exatamente como descrito no livro, devido aos tons frios e efeitos como neblina. O único porém é: cadê o cemitério? Não teve no filme e isso me deixou um pouco inconformada. Há diversas cenas no livro que acontecem no cemitério e a produção simplesmente não o incluiu no filme. Talvez por falta de um alto orçamento, não sei dizer.







Agora sobre as atuações... De forma geral muito positiva, todos os atores conseguiram cumprir seu trabalho devidamente. Achei que todos representaram muito bem cada personagem.


Os personagens com foco foram, obviamente, Cam, Luce e Daniel. Penn, interpretada por Lola Kirke, por ter sempre estado junto a Luce, apareceu mais vezes e foi bem retratada pela atriz. Ela passou o carisma da personagem e nos deixou mais próximos dela. Eu cheguei a shippar ela com o Todd, interpretado por Chris Ashby, apesar de saber o final de cada um deles por ter lido os livros. O ponto negativo é que eles mudaram a relação dos pais dela da existente no livro. Tem uma cena que ela explica para a Luce o que aconteceu para ela estar no reformatório. O tempo que ela gastou para falar aquilo poderia ter falado aquilo que estava no livro. Os outros personagens tiveram apenas algumas cenas que serviram como apresentação e inclusão dos mesmos. 


Jeremy Irvine (mais 'famosinho' nas telonas do que os outros atores) interpretou todo o distanciamento, o drama, a dor e a angústia de Daniel. Nada excepcional, mas muito bom sim. Eu não consegui imaginar outro ator mais perfeito para o papel do que ele. Já tinha assistido Cavalo de Guerra, filme em que interpreta o protagonista, e consegui perfeitamente imaginá-lo como Daniel. 


   


Addison Timlin conseguiu retratar uma Luce muito fiel a do livro. Ela consegue transmitir todo o cansaço e desgaste da protagonista pelo que tem passado e se destacou na atuação. Eu gostei da cena em que a Luce cai/se joga da sacada do prédio e o Daniel a salva - está no trailer então não é spoiler - embora eu tenha achado que o modo como filmaram não ficou muito bom, além de a cena ser lenta demais. É uma cena bonita e emotiva, mas pareceu uma queda forçada. Sem contar que tal clímax do momento de descoberta da Luce não acontece assim no livro. Primeiro que no livro a cena é linda e tem um discurso super-amorzinho do Daniel para a Luce, e segundo, que a Luce não descobre as coisas sozinha. Por esse motivo, ela passa por um período de aceitação que faz gancho para suas atitudes no segundo livro, Tormenta. 







No filme, eles simplesmente fizeram com que ela descobrisse praticamente sozinha devido aos flashbacks. Fiquei pensando em como eles farão a Luce cheia de dúvidas no segundo filme. Falando em flashbacks (não existem no livro mas remetem ao segundo) que fiquei num debate interno sobre o que dizer e cheguei a conclusão de que eu gostei. Pensando nos telespectadores que não são fãs da saga literárias, ficaria um pouco difícil acreditar que o Daniel e a Luce realmente tinham uma ligação poderosa. Até para quem leu o primeiro livro passa-se a sensação de quem sem eles, o filme seria bem diferente. Talvez eles acrescentaram tais cenas para fazer com que os telespectadores  acreditassem no mistério da trama Foi uma boa estratégia. Se depender de como eles retrataram as vidas passadas, a adaptação do terceiro livro, Paixão, vai ser fenomenal!





Surpreendentemente, minha cena favorita foi uma que não existe nos livros: a da esgrima em que a Luce duela com o Daniel e tem flashes de uma vida passada. O modo com que as cenas do presente e do passado se encaixaram foi maravilhosa, a atuação envolvente dos atores protagonistas foi excelente, e juntos fizeram uma cena lindamente incrível de se assistir. Duas cenas em que eu mais ansiava ver eram a da estátua do anjo caindo bem aonde os dois estavam e a do Daniel entrando na igreja quebrando a claraboia. A cena é extremamente linda no livro, super emotiva e descreve de uma forma muito bonita a glória do personagem sendo o que ele é de verdade. Não foi exatamente igual no livro, mas mesmo assim, ficou uma cena legal e bonita.



Senti falta da relação da Ariane com a Luce justamente por esse motivo que citei, mas a atriz Daisy Head conseguiu retratá-la muito bem. Eu já conhecia seu trabalho na série Guilt e desde lá conseguia vê-la como Ariane, então creio que ela fez um bom trabalho. 


Sianoa Smit-McPhee como Molly simplesmente foi maravilhosa. Consegui sentir raiva e ser amedrontada, assim como a Molly é nos livros, apesar de que suas cenas com a Luce não serem iguais as do livro. 
Rolland e Gabbe tiveram poucas cenas e achei que foram bem retratados por Malachi Kirby e Hermione Corfield, respectivamente. A atriz retratou uma Gabbe fiel a dos livros e passou a mesma sensação que tivemos quando lemos suas cenas com a Luce. 




Joely Richardson como Srta. Sophia fez um bom trabalho. O único ponto negativo não é nem sobre sua interpretação, mas o fato de que seu personagem pareceu ser a única professora do reformatório sendo que é falado que ela é novata. Ela era professora aparentemente de várias matérias e até a diretora, sendo que no livro nós temos a Srta. Troz, o Sr. Cole e outros. Além de que, também, seu papel no desfecho final do filme foi numa cena muito rápida. 


Só que quem realmente roubou a cena e me surpreendeu foi Harrison Gilbertson como Cam. Achei que não seria tão boa quanto deveria por dois motivos: não consegui imaginá-lo como tal personagem quando o assisti como o protagonista bobo e inocente em A Face do Mal e sua caracterização que foi alterada. No livro, a autora descreve diversas vezes os olhos verdes e o cabelo preto, daí no filme o cabelo deve tem até mechas loiras. Tirando o último ponto, sua interpretação foi extremamente fiel ao Cam do livro e eu fiquei de queixo caído! Passou todo o clima de bad boy misterioso e sedutor do personagem, até mais ousado. Simplesmente adorei as cena dele com a Luce e as com o Daniel.








Odiei o fato de que pareceu que o Cam realmente estava disputando o coração da Luce com o Daniel no filme, sendo que no livro ele apenas dá em cima dela e fica até um pouco obcecado com isso, apenas. Não existe triângulo amoroso e no filme - até porque o foco é a Luce e suas descobertas - foi exatamente o que aconteceu, apesar de que sempre deu para sacar que a Luce ficava mais inclinada ao Daniel. Tem uma cena em que o Cam tenta argumentar com a Luce sobre o Daniel que retrata bem isso. É algo parecido com a existente no livro, mas como no filme eles enfatizaram muito o "triângulo amoroso", pareceu uma cena entre Bella tendo que escolher entre Jacob e Edward da saga Crepúsculo. E minha nossa, não existe issoooooo! 





Também gostei muito de que eles mostraram o que realmente aconteceu no incidente entre a Luce e a Trevor. Achei que eles não iriam retratar isso, apenas mencionar. Os flashbacks de tal incidente durante os momentos de aflição da Luce transmitem um suspense super bacana. 








Adorei a pegada de humor e das cenas de descontração aliviando a tensão e o tom sombrio que existia ali.
Em geral, o filme foi muito bom. Talvez o filme teria sido melhor se tivesse mais trinta minutos. Poderia ser um tempo bem aproveitado e que pudesse sanar tais pontos negativos que citei. Não é um filme excelente, mas cumpre seu papel devidamente. Para os fãs do livro, apesar de váááárias cenas terem sido modificadas e/ou excluídas, o livro é sim fiel, e principalmente, passou muito bem a essência da história bem construída.
Lembrem-se: por mais que nós queiramos que o filme seja o máximo fiel ao livro, ele ainda é uma adaptação. E adaptações são exatamente o que o próprio nome já dizem, não? Farei um post sobre as principais cenas modificadas e/ou excluídas do filme para não deixar essa crítica maior do que já está.
No geral, minhas impressões sobre o filme foram muito boas!
Eu gostei muuuuuito e estou ansiosíssima para Tormenta que já foi confirmado, mas ainda não está sendo filmado. Quem é fã vai adorar assistir as palavras da Lauren Kate sendo concretizadas!